Alcaloides na cicatrização e efeitos adversos cirúrgicos relacionados: uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.53817/1983-6929.2026.56Palavras-chave:
Cicatrização de Feridas, Alcaloides, Senescência Celular, Envelhecimento CutâneoResumo
A cicatrização tecidual é um processo biológico altamente complexo, envolvendo fases interdependentes de hemostasia, inflamação, proliferação celular e remodelamento da matriz extracelular. Alterações nesse processo são particularmente relevantes no contexto cirúrgico, onde fatores como envelhecimento biológico da pele, inflamação crônica de baixo grau e senescência celular podem predispor a complicações cicatriciais, incluindo cicatrização tardia, infecção da ferida, necrose tecidual, cicatrizes hipertróficas e queloides. Evidências indicam que o fenótipo secretor associado à senescência (SASP) desempenha papel central na disfunção do reparo cutâneo, ao perpetuar a inflamação, degradar a matriz extracelular e comprometer a regeneração tecidual. Nesse contexto, alcaloides têm despertado interesse por sua capacidade de modular vias inflamatórias, oxidativas e profibróticas envolvidas na cicatrização. Diversos alcaloides apresentam efeitos anti-inflamatórios, antioxidantes, antimicrobianos, angiogênicos e antifibróticos, atuando sobre fibroblastos, queratinócitos, células endoteliais e componentes da matriz extracelular. Tais propriedades sugerem potencial terapêutico tanto na aceleração do reparo quanto na prevenção de complicações cicatriciais. Entretanto, determinados alcaloides também podem estar associados a efeitos adversos, interferindo na angiogênese, na hemostasia ou na resposta inflamatória fisiológica. Esta revisão discute criticamente os mecanismos biológicos da cicatrização cutânea, o impacto do envelhecimento e do SASP nos desfechos cirúrgicos e as evidências disponíveis sobre o papel dos alcaloides nesses processos. Adicionalmente, ressalta-se a escassez de estudos direcionados a complicações cirúrgicas específicas e a relevância estratégica da bioprospecção de alcaloides, especialmente a partir da biodiversidade amazônica, como fonte promissora para o desenvolvimento de intervenções adjuvantes mais seguras e eficazes no manejo das alterações cicatriciais.
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